GESTÃO DA DIVERSIDADE E MEDIDAS DE APOIO À APRENDIZAGEM COM BASE NO DUA turma T1-26/27
Apresentação
Numa escola que visa garantir o progresso de todos os alunos, a diversidade precisa de deixar de ser vista como um obstáculo e passar a ser reconhecida como ponto de partida para o planeamento pedagógico. Contudo, o desafio central continua a residir na operacionalização prática de respostas ajustadas às diferentes formas de funcionar dos alunos, sem fragmentar a ação pedagógica nem sobrecarregar os professores com individualizações excessivas. A formação Desenhar para Todos: Gestão da Diversidade e Medidas de Apoio à Aprendizagem com base no DUA surge como resposta à necessidade concreta de capacitar os docentes para planear com intencionalidade e agir com estrutura, respeitando a diversidade sem perder de vista o coletivo. O objetivo é apoiar os professores na observação e compreensão dos diferentes perfis de funcionamento dos alunos, promovendo medidas de apoio que partam da estrutura comum, garantindo acessibilidade, pertença e progresso para todos. Mais do que adaptar conteúdos, esta ação propõe uma mudança no olhar pedagógico: transformar uma turma heterogénea numa comunidade de desenvolvimento, através de ferramentas de análise e estratégias de mediação ajustadas. Com base em evidência científica, pedagogia inclusiva e princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem, esta formação convida os docentes a ver a diversidade como ponto de partida e não como ponto de bloqueio no desenho das suas práticas; bem como RE centralizar a sua visão num desenho pedagógico universal e não individual, facto que é claramente um bloqueio central à operacionalização da educação inclusiva.
Destinatários
Educadores/as de Infância; Professoras/es dos ensinos básico, secundário e Ensino Especial
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Educadores/as de Infância; Professoras/es dos ensinos básico, secundário e Ensino Especial. Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.
Objetivos
Objetivos: Compreender os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem como base para o planeamento inclusivo. Observar o funcionamento da comunidade de aprendizagem a partir de indicadores pedagógicos organizados em pilares. Reconhecer os dois níveis de análise pedagógica coletivo e individual e compreender quando e por que motivo é necessário descer ao nível individual. Identificar perfis de funcionamento que exigem medidas de apoio dentro da estrutura da aula. Analisar e responder de forma estruturada a alunos cujo funcionamento se afasta significativamente da maturidade do grupo. Conceber medidas de apoio à aprendizagem que possam ser integradas de forma previsível, ajustada e exequível. Distinguir medidas universais, seletivas e adicionais e compreender os seus impactos na ação pedagógica. Aplicar estratégias de mediação que respeitem a diversidade sem comprometer a coesão da experiência educativa. Traduzir a diversidade da turma em decisões pedagógicas estruturadas, promovendo inclusão sem fragmentação.
Conteúdos
Módulo 1: Enquadramento legislativo e consequências na organização das práticas pedagógicas (3 horas). Evolução do conceito de inclusão: de integração à participação ativa e significativa. Inclusão como motor do desenvolvimento de competências e da participação plena. O papel da escola na promoção do neurodesenvolvimento e da saúde mental. O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO) como referencial orientador da ação pedagógica. A tríade da competência: conhecimento, capacidades e atitudes. Ligação entre currículo, desenvolvimento de competências e educação inclusiva. Educação como construção contínua de autonomia, resiliência e bem-estar. Módulo 2: Da Diversidade à Comunidade de Aprendizagem (2 horas) A diversidade como ponto de partida do planeamento pedagógico. A construção de comunidades de aprendizagem como alternativa à fragmentação da aula. Relações, pertença, cooperação e cultura de grupo como base da inclusão. O papel do professor enquanto arquiteto relacional. Estratégias para cultivar coesão, responsabilidade partilhada e segurança emocional. Obstáculos comuns na construção da comunidade e formas de os ultrapassar. Módulo 2: Observar para Incluir: Como Ler a Turma com Clareza (11 horas) A importância da observação contínua da comunidade como ferramenta de justiça pedagógica. Os cinco pilares do funcionamento coletivo: Autorregulação emocional Organização pessoal e coletiva Relações interpessoais Trabalho em equipa Participação e reflexão Leitura da maturidade do grupo: uso da grelha de observação com indicadores e escalas. Relação entre os níveis de desenvolvimento e a Zona de Desenvolvimento Próximo da turma. Planeamento pedagógico a partir do grupo sem ignorar as margens. Introdução aos dois níveis de análise pedagógica: coletivo e individual. Módulo 3: Quando observar o Coletivo não Basta: Apoiar com Clareza sem Fragmentar (9 horas) Como identificar quando a leitura do grupo já não é suficiente. Observação individual estruturada: os cinco pilares do funcionamento pessoal (executivo/cognitivo, emocional/relacional, académico, cultural/contextual, disciplinar). Como aplicar uma metodologia simples de registo (SIM/NÃO + escala de funcionamento). Compreender as barreiras ao desenvolvimento sem rotular. Tipologia de medidas de apoio: universais, seletivas e adicionais. Estratégias de mediação ajustadas a diferentes perfis, sem depender de recursos externos. Utilização dos alunos com funcionamento avançado como recurso interno da comunidade. O DUA como modelo de planeamento que antecipa a diversidade desde o início. Traduzir observação em ação: construir planos pedagógicos acessíveis, ajustados e viáveis.
Metodologias
A ação será desenvolvida através de sessões teóricas, teórico-práticas e práticas, com momentos de reflexão estruturada. As sessões teóricas introduzem os fundamentos legais, conceptuais e pedagógicos da gestão da diversidade, das medidas de apoio à aprendizagem e do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). As sessões teórico-práticas articulam esses conceitos com a análise de perfis de funcionamento, exploração de ferramentas de observação, discussão de cenários e planificação de medidas de apoio ajustadas ao contexto da turma. As sessões práticas são dedicadas à leitura estruturada da comunidade de aprendizagem, identificação de necessidades específicas e conceção de estratégias de mediação pedagógica, integradas num plano inclusivo e viável. Haverá ainda momentos de reflexão e feedback sobre os instrumentos construídos, promovendo a análise crítica, a partilha entre pares e o aperfeiçoamento das propostas. Esta diversidade metodológica assegura uma aprendizagem ativa, contextualizada e centrada na aplicação prática dos conhecimentos à realidade educativa.
Avaliação
- Instrumentos de avaliação dos formandos e respetiva ponderação: - Participação/intervenções (30%) Realização das atividades práticas (30%) - Relatório final de reflexão crítica (40%) - De acordo com o Art 46º do ECD em vigor e as orientações das Cartas Circular CCPFC-3/2007 e CCPFC-1/2008, os formandos serão avaliados com a menção qualitativa de: - 1 a 4,9 valores - Insuficiente - 5 a 6,4 valores - Regular - 6,5 a 7,9 valores - Bom - 8 a 8,9 valores - Muito Bom - 9 a 10 valores - Excelente
Bibliografia
Almeida, G. (2012). Neurociência e sequência didática para educação infantil. São Paulo: Editora UnissinosCozzolino, L. (2013). The social neuroscience of education: optimizing attachment & learning in the classroom. New York: W. W. Norton & Company.Cozzolino, L. and Davis, L. (2017). How People Change. In Daniel Siegel, How People Change, 5ed, 53-71. Norton & Company: London.Perrenoud, Ph. (1995). Ofício de Aluno e Sentido do Trabalho Escolar. Porto: Porto Editora.Vigotsky, L. (1930). Sobre os sistemas psicológicos. In: Teoria e método em Psicologia, pp.103-136. (Tradução portuguesa de Cláudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes. (1996).
Formador
Carina Lobato Faria
Cronograma
| Sessão | Data | Horário | Duração | Tipo de sessão |
| 1 | 14-09-2026 (Segunda-feira) | 17:30 - 20:30 | 3:00 | Online síncrona |
| 2 | 19-09-2026 (Sábado) | 09:30 - 12:30 | 3:00 | Online síncrona |
| 3 | 22-09-2026 (Terça-feira) | 17:30 - 20:30 | 3:00 | Online síncrona |
| 4 | 23-09-2026 (Quarta-feira) | 17:30 - 20:30 | 3:00 | Online síncrona |
| 5 | 10-10-2026 (Sábado) | 09:30 - 12:30 | 3:00 | Online síncrona |
| 6 | 19-10-2026 (Segunda-feira) | 17:30 - 20:30 | 3:00 | Online síncrona |
| 7 | 27-10-2026 (Terça-feira) | 17:30 - 21:00 | 3:30 | Online síncrona |
| 8 | 03-11-2026 (Terça-feira) | 17:30 - 21:00 | 3:30 | Online síncrona |